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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A mulher de vestido longo, cabelos compridos e...


Era mais ou menos o ano de 1991, uma noite comum.  Ao anoitecer, todos faziam as lições de casa. Uns dormiam mais cedo; outros, iguais a mim, iam pra rua brincar, de “31 batido”,  lá na  Rua do Campo,  hoje conhecida como  Rua do Clube. Quem nunca brincou?

Éramos muitos: Cláudio (filho de Zezinho que tira fotos), Fabio da Pizza.com, entre outros.  Fazíamos muito barulho.  No início da noite as pessoas não gostavam, pois ao corremos arredor das casas, procurando um bom local pra se esconder,  pulando muros  levando carreiras  de cachorros,  derrubávamos  o que  víamos  pela  frente.

Eu, um garoto como os outros, normal, que nunca fui de fazer nada errado.  Estava  apenas passando o tempo e me divertindo,  resolvi me esconder no quintal da casa de dona Cacilda,  esposa de Zé Gregório, (mãe de Negão, Dandinho e  Neguinho).

Do nada,  eu ali escondido atrás de uns  tijolos  e de cabeça baixa,   eis   que  me aparece algo muito estranho.  Nunca vi nada igual: uma mulher de vestido,  cabelos longos e  rosto todo branco. Saí correndo

Até hoje eu não sei dizer o que era realmente,  pois  nunca mais  brinquei fiquei  com trauma. Não sei se era a dona Cacilda, que resolveu dar um susto ou eu vi  o que  nenhum dos outros  viu.  Apenas fiquei muito assustado com aquela  cena  que  gravei  em minha memória  e jamais  esquecerei  da  mulher de rosto branco de vestidos longos.  

Odailson Barbosa Sales (Will)

Filho de Edson Sales (Eta  carreteiro)  e Odaci Barbosa Sales.  
Tenho 29 anos, casado com Aline (filha de Claudete de  Antônio Viana) .
Sou Sommelier (profissional especializado em vinhos e seus serviços).  Apaixonado  por vinhos  e  viajar  de caminhao nas  férias  com o meu  heroi da estrada,  o meu pai. Moro em São Paulo, desde 2000.



domingo, 6 de fevereiro de 2011

O dia em que Gogóia sacou uma pistola nos Correios


A sede dos Correios ainda era onde funciona o Conselho Tutelar, ao lado da Prefeitura,  Graça (de seu Lucas) estava de cabeça  baixa quando dona Celina, mais conhecida como Gogóia chegou e ficou balbuciando palavras inarticuladas. Graça só ouviu quando ela disse: “se ele vier eu meto bala”, falou já sacando uma pistola.

De acordo com Graça, ela não entrou em pânico, porque naquela época, anos 90, não eram comuns assaltos nos Correios, muito menos em Areial. Porém, uma senhora, esposa de Arlindo do açougue, que estava conferindo os números da Tele Sena disparou numa carreira que nem as balas da pistola de Gogóia a alcançariam.

Só viram o vulto e os cabelos da senhora sumirem na porta no sentido do Mercado Público. Outro senhor que ia chegando aos Correios foi quem avisou a Graça que alguém havia esquecido duas Tele Senas no balcão de colagem das cartas.

Eu fico imaginando o desespero dessa senhora imaginando os tiros, as balas perfurando seu corpo, o sangue chorando na calçada. Ou mesmo vai-se saber se ela não pensou em uma morte imediata, um traumatismo não fatal ou  uma paraplegia.

A única coisa que sabemos, segundo as fontes, é que com a mesma naturalidade e velocidade que dona Gogóia sacou a arma, a devolveu para a bolsa e saiu resmungando palavras que não se ouviam direito e ninguém quis que ela esclarecesse o que havia acabo de dizer.

Assim, a pistoleira dona passou a ser temida pela molecada da cidade, pelos adultos e pelas mulheres nervosas. O ocorrido virou mito e muitas histórias se formaram. Até dizer que Graça passou mal e quase desmaiou espalharam pela rua. Pessoas contavam o “causo” as gargalhadas chamando “Gogóia Lampião” ou  "A velha da pistola".

Zélio Sales
Filho de Margarida dos Santos  Sales (de seu Zé Pedro) e Sebastião Salles (Basto Gabriel). Jornalista, blogueiro e descobridor de mundos. Nasci em Areial, mas vivo em Campina Grande, desde 2006.


sábado, 5 de fevereiro de 2011

Minha primeira escola




Pela década de 70 comecei a freqüentar a Escola Paroquial, cujo nome oficial era “Instituto Educativo João XXIII”, que tinha como diretores o Padre Monsenhor Manuel Palmeira da Rocha e a Irmã Canísia Sonnemans (de nacionalidade Holandesa), ambos falecidos.

Foi neste Instituto que fiz o antigo primário. Sem dúvidas,  era uma ótima escola. Na época, mesmo sendo criança, percebíamos a grande preocupação que Padre Palmeira, Irmã Canísia e demais professores tinham com o bem-estar intelectual, emocional e social do seu alunado.

Lembro-me com muito carinho de todas as professoras que contribuíram para minha formação primária. São elas: Dona Gorete Grangeiro, Dona Maria de Jesus, Judy Ferreira, Daura Barbosa da Rocha, Dona Carmelita Jacinto de Melo, Neves Vieira e Irma Canísia. A merendeira era a senhora Tereza Balbino.

Hoje o Instituto não mais existe, mas para quem estudou nesta escola só resta muitas e boas recordações. Eu mesma tenho muitas recordações (lembranças) e outras concretas como: 
Escudo da Escola e capa do boletim


Livros do primeiro e terceiro anos


Livro do 4º ano

Boletim do 4º ano
Certificado de Conclusão

Esse texto foi feito para homenagear o Monsenhor Manuel Palmeira da Rocha, Irmã Canísia e todos os outros que contribuíram para a educação da cidade de Areial e também para avivar as lembranças de todos que passaram pelo Instituto Educativo Joao XXIII.


Maria do Socorro Braga Guimarães (Socorro de Lêla)

 Filha de Antônio França e  Irene Braga.
Pedagoga. Professora da rede municipal de Areial – PB.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Afinal, quem era João Alfredo?

      
Pessoas do passado um pouco distante, sabe muito bem quem era João Alfredo. Conhecem mais pelos causos, histórias verdadeiras e outras fantasiosas, como também a geração de hoje conhece suas estórias através dos mais idosos ou parentes.

Seu nome verdadeiro era João Alfredo Vicente, nasceu no município de Areial,  Sítio Arara,  em 12 de novembro de l916. Era filho de  Maria Filirmina da Conceição. Seus pais faleceram muito cedo e deixou seu João, um irmão de nome Adauto e outro que foi embora e nunca mais se teve noticia (deve ter sido criado por outra família).

Seu João e seu irmão, muito jovens,  tiveram que procurar destino e como ele era de conversar bastante sempre conseguia uma boa amizade e por isso sempre arrumava um serviço. Trabalhou em Pocinhos, Soledade, Olivedos, Cubati e até em Patos. Ele só gostava de andar por essa região, ou seja, pras bandas do cariri e sertão, nunca aqui na região de Esperança, Remígio ou Areia setores do brejo.

Conheceu tia Maria (era irmã de meu pai Antônio Apolinário) na década de trinta e casou-se na década de quarenta em Pocinhos. Começaram a vender umas bananas aqui, outras ali, macaíbas, cachaça, bolos e doces (feitos por tia Maria).

Estabeleceram-se no centro da cidade, ou seja, onde hoje fica a loja de móveis, vizinho a Manuel Preá. Tornou-se um pequeno comerciante, que dava para o sustento da família. E no meio desse comércio sempre estava contando suas anedotas, suas fantasias imaginárias e alegrando a rapaziada.

Na sua mercearia ainda conheci os refrigerantes Grapete e CRUSH, os sequilhos e bolinhos de goma, os cocorotes, língua de sogra e outras guloseimas deliciosas. Sempre estava de bom humor com aquele pé de burro (cigarro de fumo de rolo) na boca.

Nos finais de ano, depois de “Noite de ano”, era tradicional, era obrigatório todos aqueles conhecidos de seu João e até gente de fora da cidade, passar na mercearia para tirar a ressaca da festa (na cidade era o único que saturava os bêbados, pois nos outros estabelecimentos era raridade estar aberto).

Como todo mundo sabe era aquela risadeira total, aquela alegria geral com seu João também envolvido naquela algazarra e já tomado vários goles de cachaça.

João Alfredo mesmo sem ter aprendido ler e escrever, mas era muito inteligente, autodidata. Era criativo nas suas narrações, era um verdadeiro ator (contava suas estórias gesticulando e fazendo o seu cenário) isso sem nunca ter visto e conhecido peças de teatro.

Ele já fazia tudo isso por natureza, era um verdadeiro humorista nato (eu creio se seu João tivesse estudado e morado noutros centros, com certeza  seria um ator de cinema ou de novela do rádio ). Era  a nossa alegria, a minha alegria a sua alegria, alegria de todos aqueles que mesmo tristes ao ouvir suas estórias, já era um doutor de terapia para nossas mentes. Você saia aliviado de uma magoa ou raiva de alguém, um homem que nunca teve maldade, malícia, só simplicidade, por isso, talvez esteja sempre alegrando o povo lá de cima.

Teve dois filhos, Ery (já falecido) e Erivanda. Alcançou, ainda vivo,   cinco  netos. Sua esposa era filha de Apolinário Salustiano Gonçalves e Joana Maria da Conceição (pais de Antonio Apolinário, meu pai ). Passou o tempo e tia Maria adoece e como Erivanda já casada e não podendo morar com eles (Ery também já havia saído de casa e morava em Campina Grande),  vende tudo que tem aqui e leva os pais para Esperança para poder cuidar melhor do casal.

Em pouco tempo seu João também adoece de uma perna (é como que lhe tirou do habitat onde viveu). João faleceu no dia 14 de maio de 1997 em Esperança e foi sepultado no cemitério nossa Senhora do Bom Conselho,  em esperança,  aos 80 anos e seis meses.

Sua esposa Maria Apolinário Vicente nasceu no dia 05 de novembro de 1916, teve dez (10) irmãos (Tio Manuel o mais velho, João, José, Antônio (meu pai) Severina, Regina, Sebastiana, Maria, Celina e Rita). Faleceu em 20 de maio de 2003, em Esperança,  e foi sepultada no Cemitério Nossa Senhora do Bom Conselho, também em Esperança,  aos 87 anos e seis meses.
              
Trecho extraído do livro “Causos e estórias vividas pelo povo dessa terra Areial” a ser publicado.     

Eudes Donato

Filho de Antônio Apolinário Gonçalves e Hilda Donato Gonçalves, Funcionário Público da Empresa de Correios e Telégrafos, pesquisador, colecionador de vários itens, como gibis antigos, discos de vinil, livros sobre o cangaço, e grande acervo esportivo. Colaborador em pesquisas para a revista Placar da Editora Abril, Revista da Esperança, livro sobre o América Futebol Clube da cidade de Esperança, etc.



             

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

História de capador de caju (em verso e prosa)


Boa safra de caju
É festa e alegria,
Molecada pra capar
Não falta nenhum só dia.

Faça frio ou calor
Maturi novo na flor
Butija bruguelo faz
Lembrança de criançinha
Que hoje já é rapaz.

Capar só pra escapar,
Não é furtar nem roubar,
É sobreviver à seca
A fome alimentar,
Encher o bucho de quem
Já não tem pernas também,
Nem forças pra se esquivar.

A vida de capador
Nos sítios de Areial,
É viver cheio de grude
Correr do bem e do mal,
Fugir do dono do pé,
Livrar-se do hospital.

Covão, Arara, Manguape,
Capador não tem distância,
Andando na região,
Timbaúba e Esperança,
Andar de turma e bando,
Sujo, fedendo e grudado
Já foi sonho de criança.

Hoje em dia não me diga
Que castanha de caju
Chama atenção de moleque
Mais que jogo de fla x flu
Bolsa família é sacola,
Assistencialismo esmola,
Que viciou eu e tu.


Leandro Targino Barbosa

 Filho de Francisco de Assis Barbosa “ Teté” e Lindinalva Targino “Linda”. Graduando em jornalismo pela UEPB. Atualmente apresenta programas radiofônicos na RCA, voltados aos  agricultores de Areial, "Nação Ruralista" e o "Programa Livre",  de informações e variedades.


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Inveja a gente só deve sentir e não matar


É assim que começo contando a minha história.  Quando adolescente vivia fugindo para o Açude Velho tomar banho e ver os corajosos pularem do pitoco do açude. Sentia tanta inveja da coragem de quem fazia.

Então em uma dessas belas tardes, eu, Vanessa Martins (esposa do Henrique), Henrique Balbino (filho de Cleide), Thiago meu irmão, Alisson (filho de Da Guia), Hélida (filha de Valdíria) e Laércio (meu primo) fomos, como de costume, brincar no açude.

Eu morria de medo de nadar, só boiava e ficava no raso. Os meninos começaram a pular do pitoco. Lá vai Henrique, Alisson, Laércio, todos.  E eu lá, morrendo de inveja, até que alguém fala, para eu pular que os meninos iam ficar esperando. Eu louca e com vontade de matar a inveja, comecei a pensar no assunto.

Fui várias vezes ver a altura.  Achava muito alto, mas resolvi pular, sem saber nadar só boiar.  Segundos antes de eu pular todos os meninos pularam e ficaram lá em baixo, esperando para me socorrer. Tentei pular e não consegui. 

Minhas amigas, falaram: “vai Jacky, deixa de ser mole”. Corri em toda velocidade para ficar longe das pedras e chegar mais próximo dos meninos, quando pulei senti que estava caindo... Sorri, mas quando olhei para baixo e não vi nenhum dos meninos, comecei a ficar preocupada.

Lembro que caí perfeita na água e descia como uma pedra para o fundo do açude. Foi quando abri os olhos e o reflexo do sol longe, fiquei desesperada, comecei a bater os braços para todos os lados e ninguém estava lá para me socorrer como haviam me dito.

Só que, como demorei, eles saíram para descansar. Comecei tentando boiar, porque nadar eu não sabia. Foi quando consegui chegar à superfície e lá estavam eles olhando para água, feito estátuas para ver se eu ia conseguir sair, dizem que meu irmão falava: “ela não vai consegui subir”, pergunto eu: por que já que ele pensou isso não pulou para me ajudar?

Gritei desesperada:  “me ajuda!”.  Afundei mais uma vez e, quando subi novamente, Henrique me puxou.  Eu tremia e todo mundo ria da cena. Fiquei em estado de choque durante uns dois dias sem consegui dormir direito. Por isso que eu digo, inveja  a gente só deve sentir e não matar,  porque você pode acabar morrendo.


Jaqueliny Martins

Filha de Sebastião Martins (Basto do bar) e Margarida Diniz. Técnica de Segurança do Trabalho. Casada. Moro atualmente no Rio de Janeiro e amo minha cidade Areial.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Já passamos dos 3.200 acessos!


Que alegria! Passamos dos 3.200 (três mil e duzentos) acessos. Hoje fazemos exatamente um mês que estamos no mundo virtual e já chegamos a essa soma de leitores, areialenses espalhados por diversas paragens do Brasil e também do mundo, pois temos visitantes da Holanda, certamente é Erinalva, nossa pequena notável que buscou novidades de sua terra.

Gostaríamos de agradecer a cada um dos colaboradores que contribuíram para esses acessos, dividindo suas histórias conosco e com os demais internautas. Aproveitamos, ainda, para reforçar o convite para que não parem por aqui. Continuem multiplicando alegrias, com a divisão de suas experiências com todos nós.

Já que temos muitas pessoas acessando o Areial Virtual, gostaríamos dizer que nosso blog tem outro braço: nosso perfil no Orkut. Aqui contamos nossas aventuras; lá temos diversas fotos, antigas e atuais de personalidades de nossa querida cidade. Aqui já temos 59 seguidores; lá já somos 42 e  pedidos de adesão chegam diariamente. Estamos muito alegres.

Temos leitores e seguidores de níveis diferentes da internet. Temos aqueles que a usam há muitos anos e têm domínio de diversas ferramentas e redes sociais, mas existem  aqueles que estão entrando no mundo virtual agora, mas,   da mesma forma,  estão aproveitando as facilidades da rede mundial de computadores.

Teremos mais acessos e pessoas sabedoras de nosso projeto se fizermos melhor uso das redes sociais e de algumas ferramentas disponíveis em nosso blog. Abaixo de cada postagem (textos) há os ícones (botõezinhos) que podemos fazer uso para repartir as histórias com nossos amigos e familiares que ainda não acessaram o blog
Então vamos traduzir esses botões, que ficam abaixo da foto do autor do texto:


Se você clicar na letra “M”, pode mandar o texto, como está no blog por e-mail para um amigo. Será uma aberta uma caixa de diálogo na qual você coloca seu endereço eletrônico e de seu amigo.

A letra “B”  é para quem já tem blog e pode compartilhar as histórias através do seu blog. Também será aberta uma caixa de diálogo, você faz o login e compartilha a informação.

Ao clicar na letra “T”, o usuário que está acostumado com o Twitter,  compartilha a postagem com outras pessoas direto no seu Twitter. Após o login será ‘tuitado’ automaticamente.

Já a letra “F”, pode se compartilhar as postagens de nosso blog com os usuários do Facebook, uma rede social como o Orkut.

Se clicar no balãozinho, nosso leitor compartilhará a informação com os usuários do Google buzz, uma espécie de Twitter do Google.

Para encontrar as postagens anteriores é fácil: elas estarão logo abaixo dos vídeos,  armazenadas por meses e as mais antigas aparecem primeiro. Para quem tiver dúvida há uma caixa de pesquisa abaixo dos vídeos que ajuda a localizar as histórias e os autores.

É isso. Simples assim.

Obrigado a todos,

Equipe Areial Virtual.