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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Onde você guardou o seu tamborete?

 Era época da ditadura militar e o país vivia uma efervescência como consequência da falta de liberdade. Nas cidades pequenas não se falavam sobre assunto político porque os ditadores tinham olheiros em todos os lugares e sendo assim qualquer forma de aglomeração era proibida, embora com toda dificuldade a cidade de Areial nunca parou com suas apresentações artísticas e culturais.

 Acredito, portanto, que a maioria do público que assistia aos espetáculos não compreendia a importância de se fazer presente nestas manifestações e  assim as cidades pequenas continuavam com suas velhas rotinas.

A principal diversão da idade era a missa que, na maioria das vezes, extrapolava as questões religiosas acabando por adquirir  um caráter  social e porque não dizer, casamenteiro, pois era nestas ocasiões que as moças solteiras (as vitalinas)  se enfeitavam todas para  tentar “pescar” algum noivo na missa.

Passavam um pouco de pó compacto (da marca Promesa ) no rosto,  alisavam os cabelos com óleo de coco e,  vestidas com seus lindos vestidos de chita lá estavam prontas para começar a paquera, que acontecia de várias formas. Ora mandando um recado por alguma criança ou por alguma amiga da moça pretendida, ora  se utilizando  da rádio difusora local onde ofereciam  músicas para suas ou seus apaixonados.

Era esta a forma mais radical de se declarar o seu amor a pessoa desejada, mesmo sabendo que também corria o risco do pai da moça ser uma pessoa violenta, “cabra brabo”  e sendo assim procurado para dar satisfações.

Para o sexo masculino existiam outras modalidades de diversão.  Além da missa, havia os bailes nos sítios das redondezas, a base de sanfona, triângulo e pandeiro, que eram as melhores diversões. Sem contar a ida ao cabaré de Esperança Cidade, que era outra opção de lazer de jovens e adultos sedentos de alguns momentos de prazer e diversão.

Outra cultura que hoje não temo menor sentido era de levar os adolescentes para manter relação com as prostitutas, contraindo assim gonorréia (a DST mais antiga que se tem conhecimento) podendo, desta forma, falar para toda cidade que o seu filho já virou homem. Esta prática ainda é comum em alguns Estados do Brasil, em pleno século XXI,  onde a tecnologia está super avançada,  há pessoas que ainda contraem uma doença tão antiga que até na Bíblia está mencionada.

Para todas as atrações artísticas da cidade o povo precisava levar o seu assento, porque o local no qual  acontecia às atrações não dispunha de bancos ou poltronas e assim o tamborete acabava sendo  o principal utensílio para  um melhor conforto na hora de assistir a um espetáculo cultural, que ia de uma apresentação de  mamulengos, passando por uma exibição de um filme, até uma apresentação de um repente de violeiros.

Para assistir um espetáculo circense era preciso ter o seu tamborete, que é uma palavra quem vem do francês (tabouret) e, segundo o Aurélio  este  objeto significa uma cadeira com ”assento de pau”.

Falando do circo de lona, a maioria deles que acampavam na cidade de Areial era tão pobre que muitos não tinham nem a cobertura,  mas o espetáculo  não  perdia jamais o seu charme e  magia.

As crianças da cidade, em sua maioria empobrecidas, dentre elas destaco as  da rua da briga  (Sebastião Benjamim), eu estava incluído,  além das que moravam na Rua da ”Macaíba”  (Rua da Palmeira) –   e na  “vagem do burro” (Manoel Eustáquio) , que formavam os lugares mais empobrecidos  da cidade de Areial  não tinham como pagar suas entradas nos espetáculos e assim,  eram preferiam passar o dia inteiro cantando atrás dos palhaços divulgando o espetáculo e no final da tarde  as  “ cantadeiras”  recebiam um carimbo  de tinta azul ou preta que deveria ser mostrado à noite na hora de começar o show.

Triste era quando a tinta era fraca e saia antes do espetáculo, era uma decepção completa para as crianças que já estavam sem voz de passar a tarde ou o dia todo correndo atrás dos palhaços de penas de pau cantando, anunciando a estreia de um novo circo na cidade.

Contudo, me lembro de outra situação aonde o tamborete era de grande utilidade, era na hora de ver televisão na janela dos mais ricos da cidade. Como a maioria das pessoas não tinha televisão, era comum a calçada de uma residência que tinha aparelho de TV  ficar cheia, tomada por adolescentes e crianças com tamboretes nas janelas  para assistirem  as novelas que faziam o maior  sucesso, entre as quais, “Os inocentes” e o seriado “Jerônimo:  o herói do sertão” dentre outras atrações da época.   
Alem das atrações artísticas já citadas temos também a importância do tamborete na hora de se escutar um programa nos rádios. Na época existiam muito novelas de rádios e assim eram comuns principalmente mulheres se reunirem para escutar juntas as novelas do rádio que fazia o maior sucesso.

Enfim, em todas estas situações o uso do tamborete era primordial e por este motivo acredito que devemos dar certa atenção a ele.  Acredito que ainda devam existir alguns em nossa cidade,   haja vista que eles eram feitos de madeira forte e  resistente par aguentar o peso  de todas as pessoas. Eu guardo com carinho a lembrança dos meus tamboretes.

Muita coisa precisa ser resgatada em nossa Cidade Natal e no país como um todo. Cabe destacar a necessidade do respeito aos mais velhos. Pois em minha infância e adolescência éramos obrigados a pedir a bênção aos mais velhos, sejam eles parentes ou não, achava meio sem graça quando era criança. Mas  hoje adulto,  sinto que   mais  do que nunca precisamos nos educar para entender que  estes valores não podem se acabar.

A mulher hoje é retratada em músicas como  vacas, galinhas, ridicularizadas  como se fossem  fábricas de fazer filhos ou pessoas de segunda categoria.  No entanto,  nós achamos graça quando as crianças  cantam essas músicas, sejam elas funk, forró, ou mesmo  os atuais hinos de igrejas que mostram a mulher em condição inferior.  

Temos que escolher melhor as músicas que entram em nossos lares. E junto com o respeito  aos mais velhos, vamos  também preservar a memória do nosso velho e amigo tamborete.

A propósito, onde você  guardou o seu tamborete?


Eugênio Ibiapino

Filho de Eurico Ibiapino e Angelita Ferreira, meus avos paternos, Sesinando Ibiapino e  Maria Madalena da Paz, meus avós maternos, Sebastião Ferreira (Sebastião Chole)  e Santina Balbino. Nasci em 1962, numa rua atrás da Rua Manoel Clementino, e depois passei a maior parte da minha infância e o começo da minha adolescência na Rua Sebastião Benjamim, popularmente conhecida como “Rua da Briga”.

Fundador do movimento LGBT da Baixada Fluminense e Membro Titular do Conselho Estadual de Políticas Públicas para LGBT (Lésbicas, Gays,  Bissexuais, Travestis e Transexuais)  Coordenador Geral da Parada LGBT de Nova Iguaçu; Vice-presidente do Grupo 28 de Junho. 

(21) 9362-8785




sábado, 15 de janeiro de 2011

Catembas Iluminadas III




Como escrevi nas postagens anteriores (Catembas Iluminadas I e II) saí de Areial faz tempo. Fui para o seminário trabalhei, trabalhei  com a Pastoral da Terra, depois, envolvi-me no movimento popular e no Partido dos Trabalhadores, tornei-me liderança das ocupações urbanas onde dirigi a ocupação da Ramadinha I e II,  no Bairro Bodocongó.

Mas paguei um preço muito alto por mais esta ousadia.  Fui preso, arbitrariamente,  duas vezes.  A imprensa me estigmatizava como o “Rei das invasões”. Não podia ter uma residência fixa porque era constantemente ameaçado de morte e vivia em  local apoiado e protegido pela própria população. Foi nessa época que fui detido mais uma vez.

Na ocasião de uma ocupação de terra, fui preso e vítima de tortura. Um dos policiais colocou uma arma com apenas uma bala e fez roleta-russa em minha cabeça, ao mesmo tempo falava: “Olha como se mata um comunista FDP!”, e puxava o gatilho.

Eu achava que aquele seria o meu último momento, sem falar nas duas sessões de espancamento que fui vítima. Minha sorte foi que, no momento que estava sendo espancado, chegou uma repórter de nome Vanda, daí então eles pararam de me espancar.

Ela, “sem querer”, salvou minha vida.  Salvou a vida de uma pessoa que talvez não suportasse mais a sessão de espancamento, pois nestes momentos o torturador se empolga demais, porque enquanto eles batem, gritam, babam, como se estivessem movidos  com um ódio insano e sem limites, acabam  levando sua vítima ao óbito.

Fui colocado na mesma cela na qual, na noite anterior, encontraram três corpos que, segundo a polícia, foram vitimas de suicídio.  Mas conversando com os outros presos cheguei à conclusão que foram vítimas do esquadrão da morte que atuava dentro da estrutura de segurança pública. Minha  prisão durou o dia inteiro.

No entardecer, fui chamado para conversar com três homens,  em uma sala de um aspecto muito feio. Parecia que a sala estava em reforma, mas logo  fui tranquilizado por uns  dos homens que pediu que me tranquilizasse, ele era advogado da Associação dos Funcionários Públicos e estava ali  a mando da Companheira Cozete Barbosa,  que depois de tornou prefeita de Campina Grande. Sou eternamente grato pela atitude da companheira Cozete.

Com a disposição de convocar a imprensa e denunciar tudo o acontecido, fui desmotivado pelo presidente do PT, ali mesmo, dentro da delegacia, que me aconselhou a deixar para lá, que isso poderia sobrar para o partido.

Nesse momento, estava nítido que dentro dos partidos de esquerda, principalmente, tem gente que se aproveita da militância do povo para se promover, mas, quando chega a hora “de a onça beber água”, caem fora e deixam na pista aqueles que são tratados como se fossem animais selvagens que eles chamam de inocentes úteis.

Em 1988, chegava ao Rio de Janeiro. Fui morar na cidade de Nova Iguaçu, onde permaneço até hoje. Exerci e exerço várias funções profissionais.  

Gostaria de registrar que todas as minhas saídas dos seminários se deram por conta de assumir a minha condição homossexual. Sempre achei que a orientação sexual não deveria ser motivo de afastar as pessoas do seu sacerdócio.  A  pedofilia, sim, deveria ter uma condenação mais rígida por parte da igreja, mas pelo contrário, isso acaba se tornado uma praga que se está não somente no campo religioso, mas em muitas famílias, haja vista,  segundo dados policiais,  a maioria dos pedófilos é composta por “machões” que violam crianças.

Os homossexuais são minoria dentro da questão da pedofilia, mas de qualquer forma é uma patologia que deve ser sempre combatida. Por isso tenho até hoje a minha consciência limpa, pois sempre combati, não somente a pedofilia, mas também a homofobia dentro das instâncias religiosas.

Hoje trabalho na Secretaria Municipal de Saúde de Nova Iguaçu.  Consegui este emprego através de Lindbergh Farias, um paraibano que fez uma grande administração na cidade.  Trabalho na unidade móvel, um ônibus que leva exame preventivo, consulta médica, saúde bucal, verificação de pressão arterial, exame de glicemia,  e prevenção as DST/AIDS que é a minha  especialidade.

Toda quinta-feira deixo a unidade móvel e faço  o  trabalho de prevenção que se chama, “Saúde no cárcere”, na Delegacia de Polícia com os quatrocentos presos acautelados pelo Estado  que ficam na Cadeia Local em Nova Iguaçu.

Não me arrependo do que fiz, mas buscava uma revolução que seria de fora para dentro, e hoje compreendo que a verdadeira revolução e mudança vêm de dentro para fora, ou seja, se quero mudar o mundo para melhor, tenho que começar dentro de mim.


Eugênio Ibiapino

Filho de Eurico Ibiapino e Angelita Ferreira, meus avos paternos, Sesinando Ibiapino e  Maria Madalena da Paz, meus avós maternos, Sebastião Ferreira (Sebastião Chole)  e Santina Balbino. Nasci em 1962, numa rua atrás da Rua Manoel Clementino, e depois passei a maior parte da minha infância e o começo da minha adolescência na Rua Sebastião Benjamim, popularmente conhecida como “Rua da Briga”.

Fundador do movimento LGBT da Baixada Fluminense e Membro Titular do Conselho Estadual de Políticas Públicas para LGBT (Lésbicas, Gays,  Bissexuais, Travestis e Transexuais)  Coordenador Geral da Parada LGBT de Nova Iguaçu; Vice-presidente do Grupo 28 de Junho. 

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sábado, 8 de janeiro de 2011

Catembas Ilumidas II


 Como escrevi na última narrativa, moro no Rio de Janeiro há 25 anos. Deixei minha cidade natal no auge da minha adolescência e fui estudar para ser padre na cidade vizinha de Lagoa Seca. Minha primeira experiência de seminarista foi no convento dos irmãos Maristas, na época com 16 anos.

Ali, no meio religioso, ganhei a minha primeira festa de aniversário. Depois de adulto fui perceber o significado e o efeito psicológico que este evento teve na vida de uma criança ou de um adolescente.

Quando deixei o convento dos Maristas, fui para a Cidade de Surubim (PE), estudar no seminário Diocesano. Naquela cidade fiquei dois anos. Depois fui para São Paulo estudar no Seminário da Congregação Orionita, fundada por Dom Orine, um Padre Italiano.

Após alguns anos, saí deste seminário e fui novamente ser diocesano, desta vez na Diocese de Lins – SP.  Nesta época, conheci várias pessoas ligadas aos movimentos populares e a partidos políticos de esquerda.  Entrei no PT (Partido dos Trabalhadores), além de me envolver na campanha pelas “Diretas já”, um movimento político em ascensão em todo  o País. 

Em 1983,  quando retornei para a Paraíba,  fui trabalhar como monitor de alunos no “Lar do Garoto”, uma instituição dos padres do Sagrado Coração de Jesus, que  se localizava  em Lagoa Seca, a mesma cidade onde iniciei a vida de religioso.

Alguns padres me convidaram para ingressar na Pastoral Rural, onde desempenhavam um trabalho político importante com camponeses que estavam sendo ameaçados de expulsão de terras por grileiros armados, entre os quais políticos conservadores.

Fui morar nestas áreas de conflitos, que ficavam localizadas no munícipio de Massaranduba, além de outras localidades de conflitos agrários tais como Fazenda Muribeca, Serrotão, dentre outros.  Sofri ameaças morte inúmeras vezes, mas nunca desisti. Continue  lutando por aquilo que eu acreditava.

Este trabalho era coordenado pela Comissão de Pastoral da Terra (CPT), liderado  pela Dra. Tereza Braga, conhecida por enfrentar os esquadrões da morte. Depois de alguns anos morando na zona rural, vi que não recebia o apoio devido da Comissão de Direitos Humanos e da Pastoral da Terra.

Na convivência diária, percebi que essas pessoas recebiam altas somas de recursos para ajudar os camponeses ameaçados de serem expulsos de suas terras, juntamente com suas lideranças, mas que na prática essa ajuda estrutural era quase nada.

Elas precisavam de mais um mártir. A morte de um jovem engajado era um prato cheio para uma  campanha internacional. Antes de acontecer algo mais grave comigo, larguei a luta camponesa e migrei para a cidade de Campina Grande. Lá, encampei uma nova luta por moradias.

Esta história eu conto no próximo texto.

Eugênio Ibiapino

Filho de Eurico Ibiapino e Angelita Ferreira, meus avos paternos, Sesinando Ibiapino e  Maria Madalena da Paz, meus avós maternos, Sebastião Ferreira (Sebastião Chole)  e Santina Balbino. Nasci em 1962, numa rua atrás da Rua Manoel Clementino, e depois passei a maior parte da minha infância e o começo da minha adolescência na Rua Sebastião Benjamim, popularmente conhecida como “Rua da Briga”.

Fundador do movimento LGBT da Baixada Fluminense e Membro Titular do Conselho Estadual de Políticas Públicas para LGBT (Lésbicas, Gays,  Bissexuais, Travestis e Transexuais)  Coordenador Geral da Parada LGBT de Nova Iguaçu; Vice-presidente do Grupo 28 de Junho. 

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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Catembas Iluminadas



De Areial carrego muitas lembranças: o circo de lona aberto em cima; as brincadeiras de queimadas (baleada), no grupo escolar; a Paixão de Cristo, encenada pelos jovens atores da cidade; os Pastoris do Cordão Vermelho e do Cordão Azul; os mamulengos de madeira; os cantadores de viola; os emboladores de coco, e destaco a peça de Natal na cidade de Areial.

Atualmente, nos habituamos, infelizmente, a pensar o Natal como um momento apenas de gastar dinheiro e comprar presentes.  Este dia deveria ser vivenciado de outra forma, deveria ser o momento que floresceria em nós um sentimento de compaixão e de amor ao próximo.

Acredito que no coração dos brasileiros, principalmente dos moradores de Areial, ainda deve existir o antigo Natal da cidade de Areial. O Natal da lapinha (presépio) de Tia Maricota: uma artista plástica que foi vereadora numa época que não se ganhava dinheiro para trabalhar pelo povo.

Na época de Natal, ela abria sua casa para que todos presenciassem sua famosa lapinha. A lapinha dela era uma atração turística, não somente para o povo de Areial, como também para moradores dos municípios vizinhos.

Tia Maricota (mãe de Darcy Pereira) era irmã de meu pai, uma pessoa bastante querida na região. Ela fazia há muitos anos o que Joãozinho Trinta faz hoje no carnaval: transformava o lixo em luxo. Assim era tia Maricota, que juntava as cascas e catembas de coco, que eram ornamentadas com lindas pinturas. Por último, fazia uns arranjos iluminados que deixava todo mundo perplexo com a beleza da sua criação.

Todo ano a lapinha de Tia Maricota fazia sucesso e todo ano ela o fazia de maneira diferente, mas as catembas pintadas e iluminadas eram presença constante nos natais de Areial.

Tia Maricota era a mulher que valorizava as palhas e catembas de côco, iluminado um presépio que continuara dentro de todos nós. Um presépio de esperança que não deve morrer jamais. Esta mulher falava de um menino que não nasceu dentro dos templos, dentro das mansões, dentro de uma casa rica, mas de uma pessoa que nasceu dentro de uma terra invadida, um terreno abandonado que veio trazer à Terra uma mensagem de paz e fraternidade, uma mensagem de compaixão para com aqueles que mais sofrem.

Um dos meios da divulgação das festas natalinas era a rádio local que era comandada por Antônio Balbino, primo de minha mãe, que através da sua técnica levava alegria para muitas residências daquela localidade. A rádio local era constituída de um aparelho transmissor, uns quatro alto falantes tipo difusoras grandes que eram colocadas em um pau bem alto que era fincado ao chão.

Dessa forma, mundo tinha conhecimento das mortes e dos nascimentos, todo mundo apreciava as músicas de Agnaldo Timóteo, Evaldo Braga, dentre outros cantores famosos da época.

A rádio também era utilizada para os rapazes apaixonados oferecerem músicas de amor para suas paqueras, mas o dia de visitação da lapinha de natal era a notícia que todo mundo adorava escutar da “mídia” difusora local.

Quando fico desanimado, quando “bate” a tristeza e o sentimento de impotência frente à grande muralha de tristeza e opressão, me lembro da “lapinha” de Tia Maricota. Assim, as catembas iluminadas continuam dentro de mim brilhando e me dando forças para enfrentar os Herodes que até hoje continuam perseguindo o menino Emanuel.

*Eugênio Ibiapino

Sou filho de Eurico Ibiapino e Angelita Ferreira, meus avos paternos, Sesinando Ibiapino e  Maria Madalena da Paz, meus avós maternos, Sebastião Ferreira ( Sebastião Chole)  e Santina Balbino. Nasci em 1962, numa rua atrás da Rua Manoel Clementino, e depois passei a maior parte da minha infância e o começo da minha adolescência na Rua Sebastião Benjamim, popularmente conhecida como “Rua da Briga”.
Hoje trabalho na Secretaria Municipal de Saúde de Nova Iguaçu, na unidade móvel, que leva exame preventivo, consulta médica, saúde bucal, verificação de pressão arterial, exame de glicemia, e prevenção as DST/AIDS que é a minha  especialidade.

Toda quinta-feira deixo a unidade móvel e faço este mesmo trabalho de prevenção que se chama, “saúde no cárcere”, na Delegacia de Polícia com os quatrocentos presos acautelados pelo Estado,  na Cadeia de Nova Iguaçu.

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