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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O quebra-panelas


Antônio Liberato irmão de Adelino Liberato possuía uma bodega e também era vendedor de panelas de barro. A sua bodega, era onde hoje é o salão de Zezé Torrão,  vizinho a antiga casa de Zé Bebé,  na rua Manoel Clementino.

Nesse tempo, ainda não havia chegado a modernidade, ou seja, as panelas de alumínio e seu Antônio comprava panelas de barro na feira em Esperança para revender. Sua freguesia era certa, pois suas compras eram feitas aos sábados  e com isso,  no final da semana seguinte já havia acabado o estoque.

Quando ainda funcionava a feira aqui em Areial, ele aproveitava a sua mercadoria e saia da bodega, pegava as panelas e colocava pertinho da antiga escola onde hoje é a praça de eventos, sua freguesia era enorme. Como seu Antônio estava indo muito bem nas vendas, resolveu comprar um grande estoque de panelas de barro.

Por coincidência, começou a surgir as panelas de alumínio (alguns que tinham um poder aquisitivo financeiro já as possuía) que era uma novidade na época, até porque era mais pratica e fácil de manusear e não se quebrava atoa.

Seu Antônio começou a sentir as vendas diminuírem bastante, a modernidade começou a acabar com o comércio dele.  Os fregueses só queriam, só falavam de panela de alumínio. Mas seu Antônio ainda continha uma grande quantidade de panelas de barro em sua bodega.

 Chegou a um ponto que já estava oferecendo panelas a três por quatro no modo de se falar e um preço bem baratinho. Mesmo assim,  ninguém queria  e como medida de protesto, toda semana colocava suas panelas ao lado do grupo e vendo que não mais vendia, pegava duas ou três panelas, e jogava pra cima  e deixava se espatifar no chão e dizendo alguma coisa, mais ou menos  falando consigo mesmo:  “NINGUEM COMPRA, MAS TAMBEM NÃO DOU” e haja panela quebrada, toda semana  aquele mesmo ritual,  jogar panela pra cima e deixar se espatifar no chão.

A gurizada caia na rizada e até os adultos achavam engraçado aquilo.

Eudes Donato

Filho de Antônio Apolinário Gonçalves e Hilda Donato Gonçalves, Funcionário Público da Empresa de Correios e Telégrafos, pesquisador, colecionador de vários itens, como gibis antigos, discos de vinil, livros sobre o cangaço, e grande acervo esportivo. Colaborador em pesquisas para a revista Placar da Editora Abril, Revista da Esperança, livro sobre o América Futebol Clube da cidade de Esperança, etc.



sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Afinal, quem era João Alfredo?

      
Pessoas do passado um pouco distante, sabe muito bem quem era João Alfredo. Conhecem mais pelos causos, histórias verdadeiras e outras fantasiosas, como também a geração de hoje conhece suas estórias através dos mais idosos ou parentes.

Seu nome verdadeiro era João Alfredo Vicente, nasceu no município de Areial,  Sítio Arara,  em 12 de novembro de l916. Era filho de  Maria Filirmina da Conceição. Seus pais faleceram muito cedo e deixou seu João, um irmão de nome Adauto e outro que foi embora e nunca mais se teve noticia (deve ter sido criado por outra família).

Seu João e seu irmão, muito jovens,  tiveram que procurar destino e como ele era de conversar bastante sempre conseguia uma boa amizade e por isso sempre arrumava um serviço. Trabalhou em Pocinhos, Soledade, Olivedos, Cubati e até em Patos. Ele só gostava de andar por essa região, ou seja, pras bandas do cariri e sertão, nunca aqui na região de Esperança, Remígio ou Areia setores do brejo.

Conheceu tia Maria (era irmã de meu pai Antônio Apolinário) na década de trinta e casou-se na década de quarenta em Pocinhos. Começaram a vender umas bananas aqui, outras ali, macaíbas, cachaça, bolos e doces (feitos por tia Maria).

Estabeleceram-se no centro da cidade, ou seja, onde hoje fica a loja de móveis, vizinho a Manuel Preá. Tornou-se um pequeno comerciante, que dava para o sustento da família. E no meio desse comércio sempre estava contando suas anedotas, suas fantasias imaginárias e alegrando a rapaziada.

Na sua mercearia ainda conheci os refrigerantes Grapete e CRUSH, os sequilhos e bolinhos de goma, os cocorotes, língua de sogra e outras guloseimas deliciosas. Sempre estava de bom humor com aquele pé de burro (cigarro de fumo de rolo) na boca.

Nos finais de ano, depois de “Noite de ano”, era tradicional, era obrigatório todos aqueles conhecidos de seu João e até gente de fora da cidade, passar na mercearia para tirar a ressaca da festa (na cidade era o único que saturava os bêbados, pois nos outros estabelecimentos era raridade estar aberto).

Como todo mundo sabe era aquela risadeira total, aquela alegria geral com seu João também envolvido naquela algazarra e já tomado vários goles de cachaça.

João Alfredo mesmo sem ter aprendido ler e escrever, mas era muito inteligente, autodidata. Era criativo nas suas narrações, era um verdadeiro ator (contava suas estórias gesticulando e fazendo o seu cenário) isso sem nunca ter visto e conhecido peças de teatro.

Ele já fazia tudo isso por natureza, era um verdadeiro humorista nato (eu creio se seu João tivesse estudado e morado noutros centros, com certeza  seria um ator de cinema ou de novela do rádio ). Era  a nossa alegria, a minha alegria a sua alegria, alegria de todos aqueles que mesmo tristes ao ouvir suas estórias, já era um doutor de terapia para nossas mentes. Você saia aliviado de uma magoa ou raiva de alguém, um homem que nunca teve maldade, malícia, só simplicidade, por isso, talvez esteja sempre alegrando o povo lá de cima.

Teve dois filhos, Ery (já falecido) e Erivanda. Alcançou, ainda vivo,   cinco  netos. Sua esposa era filha de Apolinário Salustiano Gonçalves e Joana Maria da Conceição (pais de Antonio Apolinário, meu pai ). Passou o tempo e tia Maria adoece e como Erivanda já casada e não podendo morar com eles (Ery também já havia saído de casa e morava em Campina Grande),  vende tudo que tem aqui e leva os pais para Esperança para poder cuidar melhor do casal.

Em pouco tempo seu João também adoece de uma perna (é como que lhe tirou do habitat onde viveu). João faleceu no dia 14 de maio de 1997 em Esperança e foi sepultado no cemitério nossa Senhora do Bom Conselho,  em esperança,  aos 80 anos e seis meses.

Sua esposa Maria Apolinário Vicente nasceu no dia 05 de novembro de 1916, teve dez (10) irmãos (Tio Manuel o mais velho, João, José, Antônio (meu pai) Severina, Regina, Sebastiana, Maria, Celina e Rita). Faleceu em 20 de maio de 2003, em Esperança,  e foi sepultada no Cemitério Nossa Senhora do Bom Conselho, também em Esperança,  aos 87 anos e seis meses.
              
Trecho extraído do livro “Causos e estórias vividas pelo povo dessa terra Areial” a ser publicado.     

Eudes Donato

Filho de Antônio Apolinário Gonçalves e Hilda Donato Gonçalves, Funcionário Público da Empresa de Correios e Telégrafos, pesquisador, colecionador de vários itens, como gibis antigos, discos de vinil, livros sobre o cangaço, e grande acervo esportivo. Colaborador em pesquisas para a revista Placar da Editora Abril, Revista da Esperança, livro sobre o América Futebol Clube da cidade de Esperança, etc.



             

domingo, 30 de janeiro de 2011

Quem não se lembra de seu Nô?


Nós no tempo de criança, oito nove anos, sempre fica guardado na lembrança algo que lhe chama atenção. Neste momento, as coisas vão acontecendo ao natural, sem darmos muita importância. Os tempos passam, você cresce, fica adulto, mas continua como criança, pensamento de quando era pequeno.

Lembro-me muito bem de um ceguinho (seu Nô) que toda sexta-feira, logo ao amanhecer vinha do Sitio Três Lagoas (será que era Três Lagoas?). Com o seu ritual de sempre: entrava na cidade descendo a rua do lado do cemitério sentido centro, pedindo uma “esmola pelo amor de Deus”.

Às vezes, vinha acompanhado, mas geralmente estava só com a sua bengala,  andando lentamente e com aquela sincronia. Quando terminava um lado da rua principal, imediatamente passava para o outro lado e começava a voltar para casa.

Nesse tempo Areial tinha casas até onde hoje fica a loja de material de construção de Marcos. A residência da gente era e ainda é defronte o Mercado Municipal.

Pois bem, quando seu Nô chegava à residência de meus pais, o relógio sempre estava marcando onze horas. Ele seguia este ritual rigorosamente todas as sextas-feiras.  Quando ele batia em nossa porta, eu saía correndo para pegar farinha, feijão ou outra coisa qualquer e  ele sempre falava:

-- Meu filho, Deus lhe pague.

Eu inocente chegava para minha mãe (Hilda) e dizia:

-- Mãe, ele disse que Deus me pagava.  Minha mãe, com aquele jeito de mulher católica fervorosa,  me falava:

-- Não, meu filho, ele está agradecendo e que Deus nos aumente cada vez mais nossa caridade e bondade.

Fui crescendo, o tempo passando e num determinado momento, passou uma semana, duas semanas e nada do ceguinho aparecer. Comecei a sentir a sua falta.  Eu naquela inocência comecei a fazer perguntas a minha mãe. Qual foi a minha surpresa, quando mãe diz:

-- Aquele ceguinho,  seu Nô, não aparece mais porque ele morreu.

Minha tristeza foi grande, pois gostava muito dele, aquele homem alto, já com suas sobrancelhas branquinhas, voz macia. Apesar de muito pobre,  sempre bem limpinho. Não sei de que família ele era, nem o seu nome verdadeiro,  na década de sessenta deveria ter uns setenta anos.

      Trecho do livro “Causos e estórias vividas pelo povo dessa terra Areial”  (a ser publicado )  


Eudes Donato

Filho de Antônio Apolinário Gonçalves e Hilda Donato Gonçalves, Funcionário Público da Empresa de Correios e Telégrafos, pesquisador, colecionador de vários itens, como gibis antigos, discos de vinil, livros sobre o cangaço, e grande acervo esportivo. Colaborador em pesquisas para a revista Placar da Editora Abril, Revista da Esperança, livro sobre o América Futebol Clube da cidade de Esperança, etc.



terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Seu João Alfredo e o gato na geledeira




Tia Maria, esposa de João Alfredo, criava um gato e tinha muita estima pelo bichano.  Ele já estava ficando velho e só vivia dormindo na ponta do balcão da mercearia ou na outra ponta dois vidros:  um de doce de coco e outro de mamão não relaxava para os fregueses.

A rapaziada, pra distrair tia Maria ou seu João, sempre mandava tia Maria fritar rolinha, peixe ou outra carne pra servir de tira gosto. Seu João também ia lá pra cozinha e deixava a mercearia sem ninguém da casa.  Era o momento em que os guris, os pequenos, aproveitavam e metiam a mão nos doces e comiam.

Já os mais velhos ficavam esperando a carne chegar, e nesse intervalo era aquela “risadeira” total. Os que mais davam trabalho era João Bosco, Toinho de dona Beli, João Buchudo de Joca Victor,  os mais famosos,  pra não falar de  Valdeci  Pereira, Naia de Mané Preá e muitos outros .

Certo dia, não tendo mais  o que fazer, aprontaram essa pra tia Maria e seu João. Mandaram os dois fritar peixe e carne novamente e lá pelas tantas, pegaram o gato de estimação que estava dormindo e,  aproveitando a ausência dos dois, colocaram o bicho dentro da geladeira.

Depois de muita conversa e risadas, vem seu João com as carnes; em seguida, tia Maria.  Um deles já querendo fazer um susto a tia, pede um refrigerante (a geladeira era dessas antigas mas que gelava em poucos minutos, porém gastava uma energia violenta ).

 Ao pedir o refrigerante a “risadeira” já havia começado.  Quando tia abre a porta da geladeira, o gato que estava assombrado e gelado,  dá um miado enorme em cima de Tia Maria.  O susto foi tão grande que quase ela desmaia, e seu João vendo aquilo, naquela sua calma pergunta: “Que mulesta é isso? O que esse cachorro da gangrena foi fazer aí?

Foi aquela confusão, quem teria colocado o gato na geladeira?  Seu João,  pra defender a sua amada fala:  “Como é que um cabra desse tem coragem de assustar uma princesa dessa, vendo a hora matar do coração e me deixar viúvo?”.

Detalhe: Zezé Torrão e Adelson Benjamin (prefeito de) que moravam fora de Areial e chegando aqui para ficar, foram logo procurar seu João Alfredo e vendo a situação da velha geladeira e com consumo alto de energia, compraram  uma geladeira nova e dão de presente a seu João. Eles foram os protagonistas dessa estória.

Trecho extraído do livro “Causos e estórias vividas pelo  povo dessa terra Areial, a  ser publicado )   

Eudes Donato

Filho de Antônio Apolinário Gonçalves e Hilda Donato Gonçalves, Funcionário Público da Empresa de Correios e Telégrafos, pesquisador, colecionador de vários itens, como gibis antigos, discos de vinil, livros sobre o cangaço, e grande acervo esportivo. Colaborador em pesquisas para a revista Placar da Editora Abril, Revista da Esperança, livro sobre o América Futebol Clube da cidade de Esperança, etc.


sábado, 22 de janeiro de 2011

Ser areialense é...



 Ser areialense é ser a pessoa atuante na história do seu povo, passada e futuro. É ser moleque no seu tempo de criança e ter roubado as goiabas do sítio de seu Nanim (hoje já com casas e ruas). Ser areialense era ter bebido (e ainda se bebe) a água do Cacimbão e carregado água da em galão de zinco ou barril de borracha e ter pescado de anzol na Barragem, com abundância de traíra e tilápias  e ver as  galinhas d’água.

Ser areialense era ter o privilégio de aprender a nadar no Açude Velho escondido dos pais (não aprendi a nadar ). Ser areialense era ter dançado “Noite de ano” no forró e no “cortiço”  de Antônio Pereira.

Ser areialense era ter (os mais antigos) estudado na escola onde hoje está a praça de eventos da cidade, escola com sua calçada bem alta e com seu piso tão liso (era cimento queimado como se falava) que muita gente quebrou perna ao escorregar (meu cunhado Toinho Barbosa foi um deles), ter professora como dona Nanu, dona Adailde Alcoforado, dona Lourdes de Tio Deca e dona Josefa Macena.

Ser areialense era também ter estudado (já no meu tempo) na escola Inácio Gondim, com as professoras, Bernadete,  mais conhecida como Berninha (minha primeira professora,   sobrinha do meu pai ), dona Mazinha também minha professora, Maria Barbosa, dona Beli de Antônio Barbosa e muitas outras.

Ser areialense era ter comido “cachorros-quentes” de seu Dunga, com aqueles pães enormes e com carnes de todo tipo (de galinha de capoeira, de peru, de bode e boi), debaixo das barracas de palhoça de palha de coco catolé (o local onde hoje é a praça de eventos),  nos finais de ano, acompanhado dos refrigerantes Crush e Grapete os refrigerantes da época e tudo sem ser gelado.
                          
Ser areialense era escutar a difusora de Severino Donato nas festas do mês de maio e,  nos finais de ano,  andar no carrossel de Sebastião Victor todo de madeira e empurrado por braços humanos.

Ser areialense era correr nos cavalinhos e canoas do parque Lima e escutar os postais sonoros de Raimundo do Parque.  Era  ter tomado banho no tanque Saraíso e ver a fabricação de telhas e tijolos na olaria de Antônio Pereira.

Ser Areialense era ter participado do “Centro Estudantil de Areial”. Nos finais de semana com as moças e rapazes que se reuniam no salão (hoje bar do Carlinhos) para escutar músicas da Jovem Guarda.  Ter dançado nos assustados,  em que se fazia numa residência com muito respeito.
                         
Ser areialense era ter provado as delícias dos doces e cocadas na barraca de  seu Belo, ao término da missa, aos domingos e no mesmo trajeto (no caso, tempo de Natal) entrar na casa de dona Maricota e ver sua lapinha ou presépio todo iluminado.

Ser areialense era ter a alegria de ir para Campina Grande na Marinete (era chamado também “a sopa”) de seu Chico Pereira, indo por Lagoa Salgada, Montadas e chegando aos Cuités.  Na volta pra casa, à  de tardinha,  com o chofer Valdemar Pereira, já  na entrada da cidade,  vinha apitando, dando a entender a população que estava chegando.

Ser areialense era assistir uma partida de futebol do antigo Atlético no campo de aveloz com seus baluartes futebolísticos, como o grande goleiro Gute  e Williams,  respectivamente, o Zé Miguel, Antônio Basílio, Jaime Melo, Edmilson de Chico Tito, Agamenon, Jaime Tito, Zequinha, Milu, Murilo, Nego de Zu, Chaguinha e muitos outros.

Ser areialense era ter cortado o cabelo com seu  Manoel Luiz, com aquele jeito dele, seu cabelo na brilhantina e bem engomado. Era ter comprado na bodega de Sebastião Victor, Pedro Grangeiro, Severino Cândido, Severino Donato, Zé Leite, Antônio Nazário, Zé Luiz e Zé Bento. 
Ser Areialense era ter visto os consertos de tamboretes, mesas e cadeiras na oficina de seu Zé Vieira, do flandrileiro Zé Capim com fabricação de lamparinas, bacias de zinco, latas d'água e ralos de lata de óleo, para ralar milho no tempo de São João.  Sabino com sua fabricação de cocadas de coco e também feitas de rapadura, das sordas e sequilhos (por coincidência os três moravam pertinho um do outro).

 Ser areialense era admirar os inventos de Zé Bebé (uma delas foi uma bicicleta toda de madeira), também com os trabalhos de carpintaria de seu Né,  que nas horas vagas também cortava cabelos e barba.

Ser areialense era escutar as estórias de João Alfredo e comer dos doces de tia Maria. Era, aos domingos,  assistir a missa com padre Palmeira e escutar aqueles sermões.

Quem não conheceu Severino “pão-doce” que consertava sapato e alpercatas com aquela enorme barriga? Diziam que tinha uma solitária na barriga. Seu quartinho era na rua Joaquim Fonseca,  antigos quartinhos de Zé  Bento. Também quem não se lembra de dona Hozana com seus picados de porco e galinhas, no mesmo local vizinho de Severino “pão-doce”?

Ser Areialense era sermos um dos maiores produtores de batatinha da Paraíba como o Sr, Antônio Apolinário (meu pai), Antônio Barbosa Alves, Chico Januário, seu Raimundo, Manuel Rodrigues e Dorgival Cabral.
                              
Ser areialense era se refrigerar no oitão da igreja nos dias quentes e se deliciar com a brisa dos ventos que ali sopram até hoje.

Ser areialense era ter tido uma candidata miss Paraíba (Maria das Graças Donato (Gracinha, Garota Cenecista de Areial) que concorreu no cenário nacional (classificada em quinto lugar no Brasil).

Enfim, ser areialense é ter orgulho e não ter vergonha de dizer que é dessa terra chamada, Areial.
                                    

Trecho extraído do livro: “História de Areial”, a ser lançado.


Eudes Donato

Filho de Antônio Apolinário Gonçalves e Hilda Donato Gonçalves, Funcionário Público da Empresa de Correios e Telégrafos, pesquisador, colecionador de vários itens, como gibis antigos, discos de vinil, livros sobre o cangaço, e grande acervo esportivo. Colaborador em pesquisas para a revista Placar da Editora Abril, Revista da Esperança, livro sobre o América Futebol Clube da cidade de Esperança, etc.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Joao Alfredo e um tiro de misericórdia

João Alfredo, un dos maiores  contadores de causo
Os colegas, amigos que hoje estão com quarenta, cinquenta anos lembram muito bem de como seu João Alfredo, mesmo não sendo alfabetizado, era um verdadeiro ator no narrar de suas estórias. Usava um linguajar e um tom de voz que a molecada já começava a rir e tia Maria (sua esposa) ficava irritada com aquilo.

Ele começou a contar que tinha ido uma caçada,  lá pras bandas do Cardeiro (região de caçadas, apanhas de lenha e coleta de umbu do povo de Areial)  sua espingarda era uma dessas sovaqueiras,  que quando terminava de carregar a bicha, a caça já tinha ido embora.

Gato do mato
Há horas que tentava atirar num gato do mato, mas não podia errar o tiro pra não perder a munição. E não é que o gato deu uma vacilada e seu João foi chegando bem devagar e no silêncio por trás  do animal. Para não ser covarde,  atirar  por trás, mirou no gato e depois exclamou: “ei psiu, vire-se pra eu não matar na covardia”

E ele com o seu jeito terminava aquela estória na maior algazarra dizendo: “deile um tiro mermo nos peito do bicho”.
Trecho extraído do livro: "Causos e estórias vividas pelo povo dessa terra Areial",  a ser publicado.

Eudes Donato

Filho de Antônio Apolinário Gonçalves e Hilda Donato Gonçalves, Funcionário Público da Empresa de Correios e Telégrafos, pesquisador, colecionador de vários itens, como gibis antigos, discos de vinil, livros sobre o cangaço, e grande acervo esportivo. Colaborador em pesquisas para a revista Placar da Editora Abril, Revista da Esperança, livro sobre o América Futebol Clube da cidade de Esperança, etc.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Colecionador de Areial é entrevistado pela TV Itararé



Entrevista que Eudes Donato concedeu a Isis Coelho, repórter da TV Itararé, afiliada da TV Cultura de São Paulo,  no dia 09 de março de 2009.

Eudes é colecionador de vários objetos, incluindo revistas, fitas VHS, DVDs e gibis, tudo raridade e disponível para pesquisa dos estudantes de Areial, cidade onde mora, que procuram o acervo.

Além de ser funcionário da Empresa de Correios e Telégrafos é pesquisador e já foi colaborador em pesquisas para a revista Placar da Editora Abril, Revista da Esperança, livro sobre o América Futebol Clube da cidade de Esperança.

O próximo projeto de Eudes Donato é escrever um livro sobre a história de Marcos de Lima (Seu Passarinho).

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Areial: As histórias de ontem e hoje

Severino Eleutério assinando a nomeção como primeiro prefeito de Areial (10/12/1961)



Vamos falar um pouco sobre a emancipação política de Areial, que há poucos dias (10 de dezembro) comemorou seu 49º aniversário. Areial era distrito de Esperança, quando da divisão administrativa do Brasil, em 1935, e, posteriormente, em 1938. Figurou como distrito de Esperança com nome de Areal (sem a letra “I”).

 Pelo decreto de nº 520 de 31 de Dezembro de 1943, Areal passa a denominar-se Ariús. Já na divisão do quinquênio 1949/1953, muda para Novo Areial. Nesta época (por volta de 1942), na época das eleições, os habitantes de Areal se inscreviam nas cidades de Pocinhos, Esperança ou Campina Grande, até que no ano de 1943 foi instalada a 1ª seção eleitoral no distrito.

O Deputado Estadual Francisco Souto, vendo o progresso do distrito, apresentou um projeto de lei na Assembleia Legislativa do Estado propondo a emancipação de Areal, o que veio de fato a ocorrer através da lei estadual de nº 2.606 de 05 de Dezembro de 1961.

Portanto, no ano de 1961, deixa de ser distrito de Esperança e passa a ser município autônomo, com o nome de Areial (com a letra “I”). Foi nomeado como interventor  Jerônimo José de Souza (meu padrinho de batismo), que administrou a cidade por 52 dias. Logo em seguida, o então Governador Pedro Gondim visitou a cidade de Areial e nomeou Severino Eleutério de Maria como primeiro Prefeito de Areial.

Severino Eleutério era um grande empresário e dono de muitas terras na região, dono de uma das maiores lojas de tecidos da região, atraindo até comerciantes de Esperança que revendiam suas peças de tecidos (chamadas de fazenda).

Em 1962, ocorreu a primeira eleição municipal, onde tivemos apenas uma chapa inscrita no pleito eleitoral encabeçada pelo Francisco Apolinário da Silva e Francisco Sebastião Pereira (hoje a Câmara Municipal leva o seu nome). Ambos haviam sido vereadores antes da emancipação de Areial.

Francisco Sebastião Pereira era dono de uma linha de ônibus, transportando passageiros de Areial a Campina Grande pela estrada dos Cuités. Francisco Apolinário era do Sítio Lagoa de Pedra, município de Esperança, homem de personalidade e grande visão de futuro. Era ousado nos negócios.  Foi ele quem iniciou o progresso da cidade de Areial com muitas obras, pois logo no início de seu mandato, já viajava a Brasília em busca de recursos para o nosso município.

Na primeira gestão de Francisco Apolinário vale a pena  destacar a primeira vereadora eleita, Maria Ibiapino Pereira, mais conhecida como Dona Maricota (esposa do vice-prefeito Francisco Sebastião Pereira).

A primeira bancada de Vereadores do município era composta por: Evangelista Patrício de Assis, Severino Francisco dos Santos (renunciou), Ascendino Bráz da Silva, José Crispim Filho (renunciou), Manuel Rodrigues da Cunha (assumiu como suplente), Pedro Victor Guimarães, Maria Ibiapino Pereira e Geraldo Martins dos Santos.

Tivemos até hoje nove mulheres Vereadoras: Maria Ibiapino Pereira (Dona Maricota), Severina Pereira dos Santos, Nautília de Souza Guimarães da Silva (Dona Nita), Geralda de Oliveira Borges, Ivanilde Costa dos Santos, Lúcia Diniz Martins, Nilza Maria de Lucena Pereira, Maria do Carmo Araújo da Silva (Nina de João Barros) e Maria Gorete Custódio.

Os Vereadores recordistas de mandato são: Artur Barbosa Alves (“Tutu”,  6 mandatos), Ivanilde Costa  dos Santos (6 mandatos), Adriano Martins de Sales (5 mandatos e o Vereador eleito mais jovem do município com 18 anos), Geraldo Martins dos Santos (4 mandatos), José Eguiberto da Rocha (“Zé de Lita”, 4 mandatos).

Até hoje o município teve nove prefeitos: Severino Eleutério de Maria, Francisco Apolinário da Silva, Dorgival Cândido Cabral, José Barbosa Alves, Valdomiro Francisco Xavier, Arnóbio Barbosa Alves, Miguel Benjamin de Sales (assumiu por um período de 06 meses), Francisco de Assis Fernandes e Adelson Gonçalves Benjamin (atual prefeito, segundo mandato,  e filho de minha irmã Terezinha Gonçalves).

Eudes Donato
 Filho de Antônio Apolinário Gonçalves e Hilda Donato Gonçalves, Funcionário Público da Empresa de Correios e Telégrafos, pesquisador, colecionador de vários itens, como gibis antigos, discos de vinil, livros sobre o cangaço, e grande acervo esportivo. Colaborador em pesquisas para a revista Placar da Editora Abril, Revista da Esperança, livro sobre o América Futebol Clube da cidade de Esperança, etc.