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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Se você é jovem ainda, amanhã velho será



É tão bom voltar e conhecer "o tempo" através de imagens e ótimas histórias! Não tenho grandes conhecimentos dessas décadas, mas, tenho a noção de como eram esses prazeres vividos por "ilustres".

Ouvia minha avó (Dona Maria Neco) comentando sobre cangaceiros, índios, histórias assombrosas e pessoas que marcaram sua vida, como também escuto as grandes histórias da minha mãe, que por sinal, Zélio teve o conhecimento.

Posso falar, que não eram só nossos pais, avós etc. que tiveram "boas épocas". Sou um aventureiro e sempre comandava essa "região" (ruas) por meios de boas ideias (brincadeiras e competições). Tive o espírito de liderança quando criança (ainda sou), sempre procurava diversões por meio da cidade.

Nossa! Ainda imagino essa praça lotada de crianças e jovens brincando de: toca-toca, 31 batido, garrafão, chinelada (as antigas barracas eram nossos refúgios), polícia e ladrão e os campeonatos (Patins, Futebol e bicicleta).

Após o término das brincadeiras, olhávamos uns para os outros e começávamos a rir. Por quê? Estávamos cheios de manchas, cortados e outros totalmente machucados! Parecia que tínhamos saído de uma guerra. Nunca parei para contar quantas crianças e adolescentes tinham nessa praça, seria quase impossível!

Não parava por ai! À noite, marcávamos para jogar vídeo game. Jogávamos horas e horas, antenados naquelas Tv´s de alta tecnologia (LCD e 3d). Mas não era fácil, eram poucos vídeo games, tinhamos que esperar!  E sempre chegava a boa hora! Comprava cocadas, pipocas e nunca deixando de lado os picolés. Nossa! Os controles ficavam totalmente sujos!

Hoje, não vimos essas brincadeiras, porque se tivesse, com certeza lá estaria eu! Pois a idade não é obstáculo para as diversões.

Diante das produções, a minha não se iguala a diversas, pois, infelizmente não tive a oportunidade de conhecer as épocas em que noivas eram raptadas e levadas para longe (fiquei sabendo)!

Apenas agradeço as pessoas que postam e mandam suas produções magníficas para o blog, sem contar que me divirto muito olhando imagens e observando claramente os textos. Fico feliz em saber que "as décadas" vividas por nossos pais, tenham sido prazerosos e com uma essência de aventura!

Pablo Emmanuel Araújo Dias

Filho de Maria Aparecida (Dacinha) e Adelson Ramos (Filho de Dona Nicinha de seu Didi).
Técnico em Informática e conhecedor de tecnologias (muitos me chamam de "Geek"). Sou também um Problogger antenado e tenho como Hobby fotografia e discotecagem.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Uma turma inesquecível



Em 1993, eu tinha 14 anos e era um magricela desengonçado de 46 kg 1,59,  mas já trabalhava. Pegava no batente no mercadinho de Rosivaldo de Antônio Bento, onde hoje é de Edriano de Ivanilde. Comecei sendo repositor e pesador de açúcar, depois virei caixa, gerente e uma espécie de faz-tudo.

Tive amigos de turma que vieram estudando comigo desde a 2ª série, com Gorete Filipe, todos na mesma faixa etária. Mas como comecei a trabalhar. Convenci minha mãe que poderia ir estudar à noite e manter o mesmo desempenho dos anos anteriores. Ela concordou e passei para o período noturno.

Quando cheguei à turma percebi que todo mundo era mais velho que eu, uma média de três anos. A turma da noite tinha a fama de ser bagunceira, gazear aula e viver na esbórnia. De fato, mais complicado, muitos professores moravam fora, fazia com que faltassem muito. Logo, muitas aulas vagas.

Era época do Técnico em Contabilidade e vinha um ônibus de Esperança. Na minha sala havia gente que tinha desistido, sido reprovados e outro tanto que estava voltando a estudar. Era muita gente: César de Biba, Paulo de dona Paulina, Irandi, Altair, Célia de Dado Vieira, Ana Lúcia de Bela Pimenta e a turma de Esperança (Roseane e Alcilene de Coleguinha – uma garota linda que encantava a todos – eram as mais chegadas à turma).

Nas primeiras aulas vagas, a galera já queria ir para o trailer de Armando de Nino,  que ficava perto do portão de entrada do colégio, para tomar um quintinho de cana com Pepsi ou  pipoca Karintó. No segundo dia, mais aula vaga e mais quintinho.  Como não tínhamos dinheiro para beber todo dia, abrimos uma conta em Armando. Passamos a beber fiado.

Era é uma época de seca e havia uma Frente de Emergência – “Cachorra Maga” –   e Irandi trabalhava nela. Como eu também trabalhava, tínhamos como quitar a conta no fim de semana. Assim, Armando sempre vendia fiado.  Alcilene pagava igual, era uma mulher moderna. Irandi apaixonou-se logo por ela. Ele e metade da torcida do flamengo.

Para descontrair, a própria Alcilene inventou de criar um jornalzinho da classe. Nele figurava Irandi, como delegado da “Cachorra Maga” e Ana Carolina (apelido para professora Nina). Na coluna social, só dava o delegado da “Cachorra Maga” e Ana Carolina, com seus modelitos arrojados. Todo dia tinha, jornal e leitura da coluna social. Era uma risadagem só. Depois da aula, mas um quintinho.

Gazeava aula, acompanhado o grupo, para me enturmar,  quebrando o acordo que fiz com minha mãe.  Entrei para alta roda e saí do grupo dos nerds. Minhas notas que eram excelentes, cansei de já “passar” no terceiro bimestre, despencavam na mesma velocidade que descíamos para o trailer.  Comecei a me dar mal em matemática, ministrada por uma professora de Esperança,  Sueli. Fui para final, sem que minha mãe soubesse, passei com nota 6.0.

Quase fui reprovado na escola, mas aprendi a conviver com pessoas maravilhosas, palhaças, como César de Biba, um humorista nato, que não perdoava ninguém, fazia todo mundo gargalhar na classe.  Convive com Alcilene e uma galera mais experiente. Gente diferente.  Aprendi a compreender pensamentos diferentes, a ser mais tolerante e não levar a vida de forma tão séria.

Foi ainda nessa época que me reaproximei de Irandi, pois vivia lá quando era pequeno,   e de lá para cá somos amigos.  Começamos a curtir rock e sermos os diferentes de Areial. Em 1994,  ouvíamos Nirvana Guns’ N Roses e outras bandas  mais heavy.  Nosso point virou o bar de Geraldinho (Geraldo Cândido). Mas isso é assunto para outro texto.

Só voltei a ter uma turma tão legal na faculdade, pois era uma galera heterogênea. Eta,  que saudade de minha turma e de tanta gente que há anos que não vejo! Graças ao nosso projeto,  voltei a ter contato com César.  Paulo eu vi agora quando esteve em Areial, numa conversa rápida,  e agora é um de nossos seguidores do Orkut.

Zélio Sales 

Filho de Margarida dos Santos  Sales (de seu Zé Pedro) e Sebastião Salles (Basto Gabriel). Jornalista, blogueiro e descobridor de mundos. Nasci  e cresci em Areial, mas vivo em Campina Grande, desde 2006.





domingo, 13 de fevereiro de 2011

Três dias em uma prisão diferente



Este causo quem me contou foi Flávia, filha Arnóbio Barbosa.

-- Arnóbio, Arnóbio! Já era tarde da noite quando Arnóbio Barbosa ouviu uma pessoa chamá-lo na casa do sítio. Não abriu a porta. Pensou nos assaltos que aconteciam na região e não quis ser a próxima vítima. Apenas ficou imaginando quem o chamava. Os dias se passaram e ele até já havia esquecido a voz rogadora.

Três dias depois, um dos funcionários da fazenda foi tirar água na cisterna e uma voz pediu socorro. O rapaz tomou o maior susto,  até pensou que fosse coisa do outro mundo. Correu apavorado e chamou o chefe. Arnóbio foi até cisterna e nada viu, exceto um tremendo escuro. Perguntou quem era e a voz disse:

-- Sou eu, Arnóbio! Sou eu, me socorra!

Novamente,  perguntaram quem era e ele disse  ser Jacinto Paz, irmão de Zé. Disse que já estava ali fazia três. Contou ainda que voz que havia chamando era ele. Foi tirar  para beber e caiu na  cisterna. Como existiam outras cisternas na fazenda, ninguém havia ido ali há três longos dias.

Contou que, como o reservatório tinha pouca água, virou a lata que puxava a água, sentou-se nela e ficou ali esperando ser socorrido. Ficava sentado com as pernas dentro da cisterna. Assim, passou os três dias, sem comer nem dormir. Fazia as necessidades fisiológicas ali mesmo, na água que matava a sede.

Retiraram-no da cisterna e deram-lhe de comer e roupas secas. Segundo Flávia, filha de Arnóbio, até antes de morrer, Jacinto ficava na rua dizendo nos quatro cantos de Areial que seu pai era seu herói, foi o salvador de sua vida. Se não fosse por ele havia morrido dentro da cisterna.

Arnóbio teve apenas o prejuízo da água e o trabalho de limpar a cisterna, mas livrou-se do incômodo de ter um cadáver em um de seus reservatórios e de ter de explicar para a polícia como é que aquele sujeito tinha ido parar ali. Escapou de um baita interrogatório e de hipóteses mirabolantes de vizinhos e curiosos.

 Zélio Sales 

Filho de Margarida dos Santos  Sales (de seu Zé Pedro) e Sebastião Salles (Basto Gabriel). Jornalista, blogueiro e descobridor de mundos. Nasci  e cresci em Areial, mas vivo em Campina Grande, desde 2006.



sábado, 12 de fevereiro de 2011

Memórias de um estudante do Colégio


Por volta de 1997,  estava prestes a concluir meu ensino fundamental (concluí em 1998). Foi mais ou menos nessa época que começaram uma reforma na Escola Estadual Francisco Apolinário da Silva.

Reforma de escola é um saco. Geralmente, começa nas férias do ano letivo e só Deus sabe quando termina. Lembro-me como se fosse hoje que fomos estudar no Órgão Municipal. O pessoal do técnico em contabilidade (período noturno) foi remanejado para a escola municipal Geraldo Luiz de Araújo.

O espaço no Órgão não era adequado,  Claro! Atenderia as necessidades da escola em caráter emergencial. Estudávamos em um espaço apertado, dividindo a sala de aula por um quadro que separava as duas turmas. Era um converseiro e um calor que ninguém agüentava. Na hora do intervalo então, era um inferno. Cheio de gente em um espaço relativamente pequeno e etc.

Mas após uns seis meses de reforma,  voltamos para o Colégio e tudo estava normalizado.

Em 1998, estávamos concluindo a 8º série. As duas turmas se organizaram e com o apoio da professora Darcy Pereira e direção da escola, organizamos um passeio à praia. Iríamos à cidade de Lucena em uma casa cedida pelo professor Carlos Apolinário.

Por incrível que pareça,  se não estou enganado, conseguimos reunir todos os concluintes das duas turmas e nos programamos para sair em determinado dia pela madrugada.

O ônibus foi conseguido por Dona Ivanilde se não me engano, junto ao Deputado Estadual Walter Brito e estava previsto para sair de frente à casa de Darcy por volta das cinco da manhã, mas por algum motivo, esperamos a manhã toda e só partimos com destino a praia por volta das duas da tarde. Quem morava na rua foi almoçar em casa e quem morava no sítio se ajeitou na casa de parentes ou de amigos.

Para muitos era a realização de um sonho. A oportunidade de ir à praia, nem que fosse a única vez na vida. O pessoal que foi era fantástico, com direito a cocô boiando na água e afugentando os banhistas (proeza de um de nossos colegas de classe, já conhecido por suas flatulências), adolescentes passando mal devido ao consumo de bebida alcoólica e etc.

Foi uma viagem ótima. Lembranças de um tempo que ficou marcado sem dúvida em nossos corações.
Carlos Henrique Pereira Balbino 

Filho de Carlos Alberto Barbosa Balbino (Carlão) e de Cleide Lene de Souza Pereira Balbino. Administrador de empresas, ex-secretário adjunto de finanças do município de Areial.  Natural da cidade de Sobradinho – DF e Areialense de coração.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Histórias dos bastidores da Amor Caipira




A Quadrilha Junina Amor Caipira,  grupo cultural da nossa cidade que detém,  hoje,  a marca de Melhor Quadrilha do país, vem conquistando títulos e fama. Todo mundo conhece o trabalho realizado pelo grupo, porém, quem conhece os bastidores? Ensaios, viagens etc. Muita coisa acontece nos bastidores, muitos fatos inusitados fazem  com que quem passe pela quadrilha fique com uma parte da vida marcada e com muitas histórias para contar.

Não vamos contar histórias seguindo a ordem dos anos, iremos seguir aleatoriamente. Começamos em Junho de 2009, exatamente no dia 20,  um belo sábado daquele mês. A Amor Caipira havia se classificado para a final do Forrónovos, na cidade de Currais Novos, era a disputa mais importante de uma quadrilha da cidade de Areial e uma das mais Importantes da Paraíba. 

No mesmo dia tínhamos a etapa eliminatória do festival da Paraíba. Um dilema:  Joab, nosso vocalista,  iria tocar em um casamento e não poderia acompanhar a quadrilha, conseguimos um carro para Joab ir até Barra de Santa Rosa,  cidade da Primeira apresentação da noite.  Ele iria apenas para fazer a apresentação em Currais Novos  e deixou Elber Victor incumbido de levar o regional nas costas.

O pulo do gato

O Inevitável acabou acontecendo, Elber pulou  a metade de uma música,  como as coreografias da Amor Caipira são baseadas na música, o que deveria ter acontecido era todo mundo errar ficar parado ou sei lá...  qualquer outra coisa poderia ter acontecido.  Mas inacreditavelmente todo mundo pensou a mesma coisa na mesma hora, escapando de uma vergonha histórica.]

Todos saíram andando,  tapeando e  encenando como si nada tivesse acontecido  e conseguiram parar no canto certo e na hora certa.  Passado o Susto, vem o segundo dilema: o motorista que vinha trazendo Joab a Barra de Santa Rosa era Claudemir, de Dona Chiquinha, que tem o velho costume de andar bem devagar para ficar conversando assuntos de Guerra com seus passageiros.

A Quadrilha precisava seguir rapidamente para Currais Novos,  que fica a 2 horas de Barra de Santa Rosa, já passava das 20h e nos esperávamos ansiosamente a chegada de Joab, quando surge Zaqueu Cabeção sem querer partir para Currais Novos/RN, enquanto o vocalista não chegava.

Zaqueu Rocha fazia de tudo para não irmos, para não viajarmos e ficar em Barra.  Uma coisa que não falei, é que não tínhamos dinheiro pra pagar a viagem, mas como na hora todo mundo pensou com a emoção não com a razão, optamos por ir, a premiação do festival era 5 mil reais para campeã.  

Detalhe: quase ninguém acreditava em uma vitória já que estariam lá as melhores do nordeste. Em fim Joab Chegou pronto para tocar e também pra dar aula de História da Segunda Guerra, então entra todo mundo no Ônibus e seguimos viagem.

Nosso Motorista, Jr. Boca D’Agua,  passa a fazer um festival de susto para ciclistas no caminho.  Já na cidade de Picuí,  uma senhora gordinha de uns 50 anos, vinha andando no acostamento da rua, pensamos, ele não vai fazer isso.  Ao contrario do que pensamos, Boca usa a buzina de “trem” que tinha no Ônibus. A   senhora passa a cambalear e acaba caindo.  De Barra até currais novos Júnior deve ter derrubado de susto pelo menos umas 7 a 10 pessoas.

 Enfim, chegamos a Currais Novos, todo mundo cansado da última apresentação. Já passava das 23h.  Éramos a última a se apresentar, pelo menos 6 mil pessoas se apertavam nas arquibancadas da Arena. Preparamo-nos e  entramos na arena fizemos a apresentação, pra surpresa nossa e do público todo mundo deu um show.

Ao sair da arena uma ambulância esperava do lado de fora pessoas que pudessem chegar a passar mal, a enfermeira  chega pra Duane de Nelson da Emater e Henrique de Everaldo Barbosa, “vocês não passa mal depois de um rojão desses não? Normalmente quando uma quadrilha termina aqui, é  uma sessão  de desmaios e vocês estão ai bonzinhos”.

 Nessa Hora passa Schneider,  que é de Puxinanã mas que dançava na Amor,  diz:  “Vamos Dançar onde agora ainda aguento mais três”.   Henrique completa dizendo que já era a segunda apresentação da noite, a enfermeira acaba não acreditando.

 As Meninas vão para o alojamento tomar banho e os homens aguardavam o resultado na Arena. O evento era transmitido pela TV, alguns outros membros estavam fora do ônibus e outros guardando os adereços. Sai então a terceira colocada, neste momento estava na Arena, Duane, Elias, Lukinha, Bruna, Joab, Laércio, Jhonny aguardando o resultado,  todos em volta de um círculo abraçados, quando subitamente um segurança diz a Elias que a Amor Caipira havia ganhando pois tinha visto o Resultado. 

Elias começa a suar frio falar pros demais, todo mundo fica meio que alucinado, Duane então diz: “Cala a boca espera, espera!”  Sai então,  a segunda colocada, ainda não era a Amor Caipira, enquanto isso no alojamento, as meninas que estavam tomando banho ficam na ansiedade. 

Aline de Zé de Bill pede a Fabiane, filha de Fátima Guedes,  para ir até a TV e ver o resultado.  Fabiane volta e diz “Já Saio o 3º e 2º lugar nós temos chances?” , Aline responde “há já era não temos mais chances”.

Sai o Primeiro Lugar:  Amor Caipira vence com a maior pontuação da história do festival.  Quem estava na Arena vai a loucura,  felicidade a Mil.  Amor Caipira havia vencido um festival em nível Nordeste batendo mais de 60 Quadrilhas. No alojamento, as meninas estavam tristes e cabisbaixas, sem saber do resultado. No ônibus,  Zaqueu Rocha resmungava,  enquanto Zaqueu Aires estava colocando os adereços guardava os adereços. Passa um cara e eles perguntam quem havia ganhando.  Ele  diz que foi uma da Paraíba, ai já sabe o que aconteceu.

O discurso do deputado

Francisco Fez discurso de deputado em um palco da cidade.  Era um discurso épico, ninguém aguentava.  Era risadas e mais risadas, o povo se juntou pra ver as palhaçadas de Francisco. Aqueles que tinham idade para beber, simplesmente ficaram embriagados, teve gente que ofereceu cerveja e até dinheiro pra ficar com uma menina, outros acharam uma fã da quadrilha uma senhora de uns 50 anos que foi a Arena com bandeira e tudo.

Na volta,  primeira parada do ônibus 5h, descem os homens para urinar, Francisco e Schneider resolvem sair correndo só de tanga no asfalto, enquanto Elber Bêbado vomita dentro do chapéu de um dos dançarinos.

Seguimos viagem e o pneu do ônibus fura no meio do Cariri, às  6h da manhã.  Todo mundo cansado, eu disse cansado? Ao descerem do ônibus a galera continuou com a festa “é Campeão é Campeão”. O detalhe é que o ônibus havia parado em cima de uma ponte embaixo era um rio, Vivi de Sessé deixa cair um litro de 51 lá embaixo.

Começa, a luta para recuperar o litro, pelo menos 10 pessoas entraram na mata em busca do litro, enquanto isso ônibus era consertado.  Um dos desbravadores resolveu ir sair da trilha para dar uma “cagada”, na linguagem popular e quase acabou ficando lá mesmo. Voltou com calça rasgada e sem camisa.  O quê esse cara fez é um enigma até hoje. 

Seguindo a busca pelo litro, fizeram até corrente uma para salvar o precioso,  como ficou conhecido o litro.  Teve até ajuda de Reginaldo,  o peixe de pelúcia que servia para o teatro da quadrilha. Em seguida,  o litro foi recuperado, o busão consertado e a viagem seguiu.  

A quadrilha ainda parou em Barra de Santa Rosa para comer e segui para Areial. Chegando à cidade, a turma Amorzeira soltou fogos e fez desfile pelas ruas da Cidade.

Duane  Gonçalves
Filho de Nelson Pedro (Nelson da Emater)  e Mª Miranei Gonçalves, meus avós paternos, Nelson Pedro da Silva e Beatriz Fernandes. Meus avós maternos Mirian de Antônio Apolinário e Valú (de Sebastião Victor). Nasci em 1990, em Campina Grande. Moro na Casa que fica de Esquina entre a Rua São José e Manuel Clementino (Rua da Praça).
Estudante de Comunicação Social Habilitação em Jornalismo pela UEPB.  Coordenador do Grupo Amor Caipira. Membro da Associação CulturaL Amigos de Areial e da Federação Paraibana de Quadrilhas Juninas.
 Contatos: duane_areial@hotmail.com  (83) 8729-8650


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Onde você guardou o seu tamborete?

 Era época da ditadura militar e o país vivia uma efervescência como consequência da falta de liberdade. Nas cidades pequenas não se falavam sobre assunto político porque os ditadores tinham olheiros em todos os lugares e sendo assim qualquer forma de aglomeração era proibida, embora com toda dificuldade a cidade de Areial nunca parou com suas apresentações artísticas e culturais.

 Acredito, portanto, que a maioria do público que assistia aos espetáculos não compreendia a importância de se fazer presente nestas manifestações e  assim as cidades pequenas continuavam com suas velhas rotinas.

A principal diversão da idade era a missa que, na maioria das vezes, extrapolava as questões religiosas acabando por adquirir  um caráter  social e porque não dizer, casamenteiro, pois era nestas ocasiões que as moças solteiras (as vitalinas)  se enfeitavam todas para  tentar “pescar” algum noivo na missa.

Passavam um pouco de pó compacto (da marca Promesa ) no rosto,  alisavam os cabelos com óleo de coco e,  vestidas com seus lindos vestidos de chita lá estavam prontas para começar a paquera, que acontecia de várias formas. Ora mandando um recado por alguma criança ou por alguma amiga da moça pretendida, ora  se utilizando  da rádio difusora local onde ofereciam  músicas para suas ou seus apaixonados.

Era esta a forma mais radical de se declarar o seu amor a pessoa desejada, mesmo sabendo que também corria o risco do pai da moça ser uma pessoa violenta, “cabra brabo”  e sendo assim procurado para dar satisfações.

Para o sexo masculino existiam outras modalidades de diversão.  Além da missa, havia os bailes nos sítios das redondezas, a base de sanfona, triângulo e pandeiro, que eram as melhores diversões. Sem contar a ida ao cabaré de Esperança Cidade, que era outra opção de lazer de jovens e adultos sedentos de alguns momentos de prazer e diversão.

Outra cultura que hoje não temo menor sentido era de levar os adolescentes para manter relação com as prostitutas, contraindo assim gonorréia (a DST mais antiga que se tem conhecimento) podendo, desta forma, falar para toda cidade que o seu filho já virou homem. Esta prática ainda é comum em alguns Estados do Brasil, em pleno século XXI,  onde a tecnologia está super avançada,  há pessoas que ainda contraem uma doença tão antiga que até na Bíblia está mencionada.

Para todas as atrações artísticas da cidade o povo precisava levar o seu assento, porque o local no qual  acontecia às atrações não dispunha de bancos ou poltronas e assim o tamborete acabava sendo  o principal utensílio para  um melhor conforto na hora de assistir a um espetáculo cultural, que ia de uma apresentação de  mamulengos, passando por uma exibição de um filme, até uma apresentação de um repente de violeiros.

Para assistir um espetáculo circense era preciso ter o seu tamborete, que é uma palavra quem vem do francês (tabouret) e, segundo o Aurélio  este  objeto significa uma cadeira com ”assento de pau”.

Falando do circo de lona, a maioria deles que acampavam na cidade de Areial era tão pobre que muitos não tinham nem a cobertura,  mas o espetáculo  não  perdia jamais o seu charme e  magia.

As crianças da cidade, em sua maioria empobrecidas, dentre elas destaco as  da rua da briga  (Sebastião Benjamim), eu estava incluído,  além das que moravam na Rua da ”Macaíba”  (Rua da Palmeira) –   e na  “vagem do burro” (Manoel Eustáquio) , que formavam os lugares mais empobrecidos  da cidade de Areial  não tinham como pagar suas entradas nos espetáculos e assim,  eram preferiam passar o dia inteiro cantando atrás dos palhaços divulgando o espetáculo e no final da tarde  as  “ cantadeiras”  recebiam um carimbo  de tinta azul ou preta que deveria ser mostrado à noite na hora de começar o show.

Triste era quando a tinta era fraca e saia antes do espetáculo, era uma decepção completa para as crianças que já estavam sem voz de passar a tarde ou o dia todo correndo atrás dos palhaços de penas de pau cantando, anunciando a estreia de um novo circo na cidade.

Contudo, me lembro de outra situação aonde o tamborete era de grande utilidade, era na hora de ver televisão na janela dos mais ricos da cidade. Como a maioria das pessoas não tinha televisão, era comum a calçada de uma residência que tinha aparelho de TV  ficar cheia, tomada por adolescentes e crianças com tamboretes nas janelas  para assistirem  as novelas que faziam o maior  sucesso, entre as quais, “Os inocentes” e o seriado “Jerônimo:  o herói do sertão” dentre outras atrações da época.   
Alem das atrações artísticas já citadas temos também a importância do tamborete na hora de se escutar um programa nos rádios. Na época existiam muito novelas de rádios e assim eram comuns principalmente mulheres se reunirem para escutar juntas as novelas do rádio que fazia o maior sucesso.

Enfim, em todas estas situações o uso do tamborete era primordial e por este motivo acredito que devemos dar certa atenção a ele.  Acredito que ainda devam existir alguns em nossa cidade,   haja vista que eles eram feitos de madeira forte e  resistente par aguentar o peso  de todas as pessoas. Eu guardo com carinho a lembrança dos meus tamboretes.

Muita coisa precisa ser resgatada em nossa Cidade Natal e no país como um todo. Cabe destacar a necessidade do respeito aos mais velhos. Pois em minha infância e adolescência éramos obrigados a pedir a bênção aos mais velhos, sejam eles parentes ou não, achava meio sem graça quando era criança. Mas  hoje adulto,  sinto que   mais  do que nunca precisamos nos educar para entender que  estes valores não podem se acabar.

A mulher hoje é retratada em músicas como  vacas, galinhas, ridicularizadas  como se fossem  fábricas de fazer filhos ou pessoas de segunda categoria.  No entanto,  nós achamos graça quando as crianças  cantam essas músicas, sejam elas funk, forró, ou mesmo  os atuais hinos de igrejas que mostram a mulher em condição inferior.  

Temos que escolher melhor as músicas que entram em nossos lares. E junto com o respeito  aos mais velhos, vamos  também preservar a memória do nosso velho e amigo tamborete.

A propósito, onde você  guardou o seu tamborete?


Eugênio Ibiapino

Filho de Eurico Ibiapino e Angelita Ferreira, meus avos paternos, Sesinando Ibiapino e  Maria Madalena da Paz, meus avós maternos, Sebastião Ferreira (Sebastião Chole)  e Santina Balbino. Nasci em 1962, numa rua atrás da Rua Manoel Clementino, e depois passei a maior parte da minha infância e o começo da minha adolescência na Rua Sebastião Benjamim, popularmente conhecida como “Rua da Briga”.

Fundador do movimento LGBT da Baixada Fluminense e Membro Titular do Conselho Estadual de Políticas Públicas para LGBT (Lésbicas, Gays,  Bissexuais, Travestis e Transexuais)  Coordenador Geral da Parada LGBT de Nova Iguaçu; Vice-presidente do Grupo 28 de Junho. 

(21) 9362-8785




quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Barata na tigela


Essa aconteceu naqueles cariris brabos quando homens dispostos a ganhar um dinheirinho ou até em troca de alguma rês (gado, bode) se embrenhavam na mata, nas macambiras, xiquexiques e naquele calor infernal, passavam dias cozinhando e dormindo no mato, pois era muito distante da casa sede da fazenda.

Esses homens corajosos, com saúde de gigante. Pois bem, todos os dias tinha que ficar algum companheiro pra tomar conta da comida e sempre eles se arranchavam perto de alguma fonte de água. A tigela de barro era dessas que cabiam mais ou menos vinte litros de água, que era pra fazer mais caldo do que feijão e render mais.

Seu João foi escalado nesse dia.  Então, ele procurou caprichar na comida, colocou charque e uns pedaços de tripa seca já salgada.  Também colocou pimenta a gosto. Chegando ao meio dia (eles se orientavam pelo sol, ou seja, quando a sua sombra não refletia nos lados era sinal que era o meio dia).

Seu João não estava com tanta fome quanto aos outros, pois não tinha trabalhado pesado naquele dia, os outros é que estavam com uma fome de comer pedra.  Por isso seu João deixou pra comer por ultimo. Um a um foi tirando seu feijão e no final colocavam um prato de caldo com farinha e muitas vezes era repetido o prato. Todos estavam gostando da comida muito boa, porém com um gostinho diferente dos outros dias, achando que era a mão caprichosa de seu João.

Quase que não deixam nada pra seu João, mesmo assim ele coloca o seu prato já pegando a rapinha do fundo da tigela e começa a comer, depois no fundo da panela um pouquinho de caldo que restava ele nota que havia algo estranho no fundo da panela.

Para sua surpresa e para todos, estava ali uma tremenda barata daquelas que é chamada de barata d’agua que vivem nos tanques de pedra ou barreiros.  A bicha cozinhou tanto que já estava toda espatifada. Seu João em matéria de comida, sempre que falava, saia com essa: “e eu só venha”, gesticulando a mão no sentido da boca e dizendo que foi a comida mais gostosa que comeu com aquele gostinho de cedro.

          Trecho extraído do livro: Causos e estórias vividas pelo povo dessa terra Areial (falta ser publicado)

Eudes Donato

Filho de Antônio Apolinário Gonçalves e Hilda Donato Gonçalves, Funcionário Público da Empresa de Correios e Telégrafos, pesquisador, colecionador de vários itens, como gibis antigos, discos de vinil, livros sobre o cangaço, e grande acervo esportivo. Colaborador em pesquisas para a revista Placar da Editora Abril, Revista da Esperança, livro sobre o América Futebol Clube da cidade de Esperança, etc.